quinta-feira, 1 de maio de 2014

Não sou macaco, sou ser humano!

Nessa semana não posso fugir de um assunto que virou noticia no mundo todo envolvendo o jogador brasileiro Daniel Alves e a atitude tomada por ele em relação à banana que foi jogada no campo de futebol durante uma partida do campeonato espanhol, essa atitude racista não me surpreende se formos ver as questões históricas veremos que o preconceito e a segregação sempre foram marcas registradas dos “seres superiores Europeus”, ou pelo menos eles pensam assim, o preconceito na Europa é mais comum do que se pensa principalmente com os Africanos e com os latinos Americanos tenho relato de vários colegas que foram estudar lá e não trouxeram boas experiências.
Mas o que me choca é ver manifestações contra o racismo aqui no Brasil um pais que possui mais de 50% da sua população formada por negros e os mesmos vivem amontoados nas favelas das grandes cidades e a única estatística que lideram é a da violência, o número de negros nas universidades brasileiras não chega a 2% e desses nem a metade consegue concluir o curso, grande parte da população é contra as cotas e até picharam nos muros e calçadas da UFRGS que lugar de negros era nas senzalas e lugar de macacos é na jaula, essa mesma sociedade esta apoiando a ação do Daniel Alves e esquecem que somos uma ex-colônia europeia na qual os europeus quando aqui chegaram receberam do governo terras e dinheiro para começar uma nova vida, enquanto os negros quando houve a abolição da escravatura foram obrigados a fazer uma escolha, ou trabalhavam por um prato de comida, ou se amontoavam nos morros terreno acidentado e de difícil acesso e improprio para cultivo de qualquer cultura que fosse.
Nessa relação colônia, colonizado, escravo, escravocrata ainda nos resta o papel dos índios que apesar de estarem aqui quando os Europeus chegaram a ter todas as suas riquezas levadas para a Europa para enriquecer os europeus, hoje são chamados de vagabundos, tem seu território demarcado e vivem em conflito com os agricultores na sua maioria produtores de gado e soja, ou seja, os grandes latifundiários. A única coisa que me recordo ter havido com um índio e que teve grande repercussão no Brasil foi o caso do índio Gaudino que foi incendiado por um grupo de jovens de classe media alta que saiam de uma balada e resolveram se divertir ateando fogo num mendigo, claro na cabeça deles o pai possui dinheiro e nada acontece com quem tem poder nesse país e mesmo que fosse um mendigo ele era um ser humano.

Portanto não me comove esse modismo de pessoas postando fotos no facebook com bananas e os dizeres como “somos todos macacos”, pois não sou macaco sou um “Homo Sapiens”, um “ser humano” e por isso penso e ajo por mim mesmo e espero realmente que essa comoção das massas sirva para que as pessoas passem a rever seus conceitos e mudem sua forma olhar os negros, índios, mulheres, homossexuais e pobres. Espero que essa indignação não acabe de uma hora para outra assim como aconteceu com os movimentos no ano passado e não resultou em nada.