EDUCAÇÃO POPULAR E OS
MOVIMENTOS SOCIAIS
AÇÃO PEDAGÓGICA NO MST.
Palavras chave;
Educação popular, ação pedagógica e libertação.
Valter Marciano dos Santos Chereta [1]
Acreditamos que a desigualdade em nosso país só será diminuída a partir
do momento em que forem feita as reformas necessárias para garantir os direitos
de ir e vir a todos afim de que possam gozar de forma plena da cidadania e
tenham respeitados seus direitos básicos garantidos pela constituição.
Dentre as reformas necessárias para que possamos diminuir a desigualdade,
talvez a que mais seja necessária hoje, principalmente pela estrutura do nosso
país, é a reforma agrária, não desvalorizando as reformas na economia, na
política ou na educação. Devido ao fato da grande expansão territorial do
Brasil e a grande capacidade de se produzir alimentos, tornam impossíveis que
as grandes quantidades de terras estejam nas mãos de poucos latifundiários e na
sua maioria a serviço do agronegócio ou mesmo como terras improdutivas.
Essa desigualdade na divisão agrária e na produção na terra fez com que
milhões de brasileiros se tornassem os trabalhadores rurais desempregados. Sem
terra para produzirem e investirem na agricultura familiar, estes trabalhadores
se viram por muitas vezes obrigados a seguir para os centros urbanos em busca
de empregos e passando a viver em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade
social.
Nos anos 80 surge no Brasil o MST, com o objetivo de lutar pela terra e o
direito de nela produzir, mas também com a necessidade de se afirmar como um
sujeito coletivo. Neste sentido, a educação teve um papel importante. Buscar
uma educação através de um movimento pedagógico próprio e que estivesse voltada
a humanização dos seus membros e que repensassem as relações culturais, humanas
e de trabalho era nesse momento fundamental.
Conforme Caldart. (2003, p. 51)
O
MST entrou no seu 17º ano de existência refletindo mais profundamente sobre
duas de suas grandes tarefas, definidas ao longo de sua história: ajudar a
acabar com o pecado mortal do latifúndio, desconcentrando e tornando
socialmente produtivas as terras deste país imenso; ajudar a humanizar as
pessoas, formando seres humanos com dignidade, identidade e com projeto de
futuro. Esta segunda tarefa, a que talvez melhor o MST venha cumprindo desde
que começou a ser gestado, é a que remete a pensar diferente na dimensão
educativa do movimento
É preciso que façamos uma grande reflexão sobre a importância de se
pensar de fato nas ações propostas pelo MST, e que reflexos vão ter na
convivência desses sujeitos com os desafios do movimento, como também com todo
o restante da sociedade. Certamente desse conjunto de propostas em torno dos
projetos do movimento ficam evidentes que o MST passa a adotar uma identidade
de sujeito coletivo, pensando sempre na formação humana desses sujeitos. Desse
pensamento de humanizar as pessoas do MST surgem então as ações pedagógicas
relacionadas à educação e a valorização do ser humano acima de tudo,
respeitando seu histórico e todos os tipos de conhecimento adquirido que esse
sujeito carrega consigo durante todo seu tempo vivido. Segundo Caldart, (2003,
p. 51)
Deste
diálogo entre as práticas do Movimento e as reflexões sobre formação humana
construída ao longo da história da humanidade, um primeiro produto diz respeito
à própria concepção de educação. Quando tratamos de praticas de humanização dos
trabalhadores do campo como uma obra educativa, estamos na verdade recuperando
um vinculo essencial para o trabalho em educação: educar é humanizar, é
cultivar os aprendizados de ser humano.
Essa necessidade de se pensar em desenvolver as questões humanas nos
sujeitos membros do MST, foi o que fez com que se alterasse a visão sobre as
relações de trabalho e a concepção de educação presente nas escolas do campo. A educação do campo passa a ter um papel
muito importante na vida desse sujeito que não está apenas preocupado com as
questões relacionadas ao trabalho, mas que agora pensa e reflete sobre a
importância da educação como uma formação humana.
Essa formação humana não nasce de uma proposta apenas voltada para se
repensar a escola do campo, ela surge com um movimento pedagógico voltado a uma
determinada categoria de trabalhadores rurais, pobres e necessitados e que por
muitas vezes precisam dessa educação para que possam permanecer na luta pela
terra e o direito de produzir e permanecer nela.
Essa necessidade de se organizar para produzir faz com que se fortaleça
esse vinculo do trabalhador rural pobre com o movimento pedagógico do MST.
Conforme Caldart. (2009, p. 41)
O
vinculo de origem da Educação do campo é com os trabalhadores ‘pobres do
campo’, trabalhadores sem-terra, sem-trabalho, mas primeiro com aqueles já
dispostos a reagir, a lutar, e se organizar contra ‘o estado das coisas’, para
aos poucos buscar ampliar o olhar para o conjunto dos trabalhadores do campo.
Essa nova visão formada deste trabalhador Sem Terra, agora organizado e
já começando a ocupar os espaços da escola os quais são seus de direitos e
dever para atender seus objetivos, faz com que passe a haver nesse sujeito uma
reação em relação às relações de trabalho e de poder o que fortalece cada vez
mais a identificação deles com o movimento social, ao qual já agregou na sua
bandeira de luta pela reforma agrária, também a luta por uma escola justa e mais
humana.
A relação do movimento dos trabalhadores rurais do MST com a formação
escolar em busca de uma educação transformadora evoluiu a tal ponto que hoje já
há várias escolas nos seus espaços de atuação, como nos traz Caldart. (2005, p.
xx)
Em
dados estimados podemos dizer que o MST conquistou em 20 anos aproximadamente
1500 escolas públicas nos seus acampamentos e assentamentos, colocando nelas em
torno de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terra, e ajudando os seus mais de
4000 educadores; também desencadeou um trabalho de alfabetização de jovens e
adultos, envolvendo entre 2003 e 2004 mais de 30 mil educandos e 2000
educadores; começou a desenvolver praticas de educação infantil em seus cursos,
encontros, acampamentos e assentamentos, que formam pelo menos mais 500
educadores nessa nova frente; conseguiu criar algumas escolas de ensino médio
nos assentamentos e fazer cursos superiores em parceria com diferentes
universidades brasileiras.
Essa valorização da formação dos trabalhadores do MST faz com que a
escola ocupe um papel muito importante na vida desse sujeito de forma que esse
possa se humanizar e ao mesmo tempo se apropriar das técnicas de trabalho que
irão auxiliar no seu dia a dia. O grande número de escolas nos assentamentos e
acampamento nos mostra a preocupação do movimento com a valorização da
educação, pois fica visível que a escola passa a ser instrumento de
transformação social para esse sujeito de forma que, começa haver preocupação
com as questões relacionadas sua ação pedagógica.
Essa parceria com universidades favorece o surgimento de pesquisas no
campo da educação popular, o que facilita e muito a ação dos educadores dos
Acampamentos e assentamentos do MST. O que engrandece a ação pedagógica
desse sujeito são as relações que ele ira desenvolver com o educando e a práxis
desenvolvida.
Conforme Caldart. (2003, p. 51)
O
MST tem uma pedagogia, quer dizer, uma práxis
(pratica e teoria combinadas) de como se educam as pessoas, de como se faz
a formação humana. A pedagogia do Movimento Sem Terra é o jeito através do qual
o Movimento vem historicamente, formando o sujeito social de nome Sem Terra e
educando no dia a dia as pessoas que dele fazem parte.
Essa práxis é o resultado da teoria com a ação pedagógica, ou seja, uma
coerência entre o discurso e a prática e a busca pela formação de uma
identidade desse movimento como sujeito coletivo e com características
próprias, e por as letras S do sem e T da terra aparecem em maiúsculo no texto
da Caldart, para reafirmar essa identidade. Esta educação do campo dentro dos
movimentos social não deixa de ser uma ação transformadora. Transformação essa
que passa pelo campo social e pelo campo ideológico ocupando-se da função de
ser uma educação humanizadora. Conforme Caldart. (2009, p. 42)
A
educação do campo, fundamentalmente pela práxis pedagógica dos movimentos
sociais, continua e pode ajudar a revigorar a tradição de uma educação emancipatória, retomando questões antigas e formulando novas interrogações a
política educacional e a teoria pedagógica. E faz isso, diga se novamente,
menos pelos ideais pedagógicos difundidos pelos seus diferentes sujeitos e mais
pelas tensões/contradições que explicita/enfrenta no seu movimento de crítica material
ao atual estado de coisas.
Essa critica ao estado atual das coisas faz surgir no movimento às
escolas itinerantes, que estão em movimentos juntamente com os sujeitos
acampados e que necessitam dessa modalidade de educação para ter garantido seu
direito básico de estar na escola respeitado e para que não haja em nenhum
momento o desligamento desse sujeito coletivo da escola, valorizando assim os
processos de formação.
Conforme Caldart. (2005, p. xx)
No
Rio Grande do sul temos, desde novembro de 1996, a chamada Escola Itinerante dos Acampamentos, com um tipo de estrutura e
proposta pedagógica criada especialmente para atende às crianças e adolescentes
do povo Sem Terra em movimento. Temos agora, mas foi preciso uma luta de 17
anos (isto mesmo!) para conseguir o que seria o mais ‘normal’, porque justo, e
até se tornou um direito constitucional: é a escola que deseja ajustar-se, em
sua forma e conteúdo, aos sujeitos que delas necessitam; é a escola que deve ir
ao encontro dos educandos, e não o contrário. – hoje há também escolas
itinerantes no Paraná, Santa Catarina e tramitam processos em Goiás e
Alagoas.
Essa realidade vem sendo alterada nos últimos anos, já que o estado do
Rio Grande do Sul fechou as escolas itinerantes alegando que essas estavam voltadas
à formação ideológica das crianças e adolescentes que a frequentavam,
contrariando assim um direito constitucional que as pessoas possuem de se
organizar e lutar pelo que acreditam e defendem e o direito de expressar seu
desejo e opinião.
Dentre outras coisas, que são valorizadas no MST, estão relacionadas
culturas populares e o conhecimento adquirido através das relações sociais
construídas entre as relações do sujeito e o meio. Essa relação produz
conhecimento, o qual é valorizado e passa a ser ponto de partida para a
construção de novos conhecimentos. Conforme Caldart. (2003, p. 55)
Valores
são uma dimensão fundamental da cultura; são princípios de vida, aquilo que
consideramos que vale viver. São valores que movem nossas práticas, nossa vida,
nosso ser humano. São valores que produzem nas pessoas a necessidade de viver
pela causa da liberdade e da justiça. São valores que movem o empenho dos sem
Terra em fazer dos assentados comunidade de utopia, coerente com a luta que os
conquistou.
Essa utopia se apresenta a nós devido às barreiras postas pelo Estado e
pelos latifundiários, que não deixa de serem os mesmos, se levarmos em
consideração a relação entre esses grandes proprietários de terra e a ocupação
dos cargos públicos por esse veremos que são eles nossos deputados e senadores.
Essa situação é inadmissível em um país com dimensões continentais e no qual os
pequenos agricultores não tenham condições de desenvolver a agricultura
familiar e assim garantir para si e seus iguais o direito de estar e de
permanecer no campo. Já as grandes
propriedades estão voltadas a criação de gado e ao agronegócio que gera
exclusão e desemprego com o uso das tecnologias.
Mas todas essas dificuldades, encontrada na busca por espaço e respeito
pelos primeiros agricultores, levou eles a se organizar, visando à Reforma
Agrária necessária para garantir a permanência no campo, e a garantia dos
direitos básicos. Esse exemplo faz com que hoje, mesmo os jovens nascidos e
criados dentro dos acampamentos e assentamentos assumam essa identidade de Sem
Terra e valorizem esses conhecimentos;
Conforme Caldart. (2003, p. 56)
Foi assim que o movimento se fez como é:
aprendendo dos lutadores que vieram antes, cultivando a memória de sua própria
caminhada. A história se faz assim: A terra guarda a raiz, diz uma das canções
do MST. A educação também deve guardar raiz, ajudando no cultivo da memória do
povo e na formação da consciência histórica.
Essa consciência histórica de um sujeito com raiz no campo e com uma
educação enraizada no campo traz a tona muitas reflexões, dentre elas é a
importância de a escola caber no movimento, já que o movimento não cabe na
escola. O movimento não cabe na escola apenas pela suas dimensões, mas também
pela sua identidade ideológica que por si própria vai contra o modelo de
educação das escolas tradicionais, voltadas a formação do sujeito para o
mercado de trabalho e para uma realidade urbana.
É preciso uma educação que conscientize esse cidadão para que não esqueça
suas raízes camponesas, garantindo à permanência no campo e as condições que os
levaram a situação de trabalhadores rurais sem-terra.
Conforme Caldart. (2003, p. 56)
É preciso educar cada família Sem Terra para
que não se esqueça também de suas raízes camponesas, de sua cultura, de como
essas raízes participam da formação do povo brasileiro. Que todos os Sem Terra
aprendam como chegar à condição de trabalhador rural sem-terra, e de como
possuem muitos outros irmãos no mundo inteiro em condição semelhante, e também
fazendo luta pela terra e pela Reforma Agrária como nós. E como ficamos presos
ao passado, mas ao contrario, para colocá-lo em movimentos e projetarmos o
futuro que é melhor para todos.
Para que possamos garantir um futuro melhor para todos é necessário
acreditar que não há transformação nem humanização sem a organização dos
movimentos, no nosso caso, em especial no MST. Essa ação pedagógica proposta
pela Caldart, esta centrada na proposta de uma formação do sujeito visando à
busca pela autonomia e que esse seja capaz de se organizar e desempenhar a
cidadania proposta pela educação popular.
A educação se da através das ações nas quais se valoriza acima de tudo as
relações humanas. Conforme Caldart. (2003, p. 54)
As
pessoas se educam nas ações porque é o movimento das ações que vai conformando
o jeito de ser humano. As ações produzem e são produzidas através de relações
sociais: ou seja, elas põem em movimento outro elemento pedagógico fundamental
que é o convívio entre as pessoas, a interação que se realiza entre elas,
medida pelas ferramentas herdades de quem já produziu outras ações antes
(cultura); nesta relação às pessoas se expõe como são, e ao mesmo tempo vão
construindo e revisando sua identidade, seu jeito de ser.
Essa identidade buscada pelas pessoas do movimento social deve ser focada
não apena na busca pela reforma agrária, mas com forte participação nas ações
educacionais da escola e uma preocupação com uma educação transformadora e
libertadora. A essa identidade com o movimento pode se atribuir também a
necessidade sim de se ter uma formação ideológica nessas pessoas para que não
acabem aumentando as estatísticas e aumentando o número dos chamados ‘sem’,
sem-terra, sem-trabalho, sem-teto, sem-saúde, sem-educação e sem acesso a
muitas coisas básicas a sobrevivência e a felicidade dos cidadãos.
A formação desse sujeito não se da apenas nos espaços escolar. Mas sim em
todas as relações de trocas de aprendizado, que forma essa pedagogia do MST e
que é bem maior do que a proposta formal da escola e que, portanto busca
atender mais as necessidades dos sujeitos do movimento. Conforme Caldart.
(2003, p. 57)
Sujeitos
não se formam somente na escola. Há outras vivencias que produzem aprendizados
até mais fortes. A pedagogia do Movimento na cabe na escola, porque o Movimento
não cabe na escola, e porque a formação humana também não cabe nela. Mas a
escola cabe no movimento e em sua pedagogia; cabe tanto que historicamente o
MST vem lutando tenazmente para que todos os Sem Terra tenham acesso a ela. A
escola que cabe na pedagogia do Movimento é aquela que resume sua tarefa de
origem: participar do processo de formação humana.
A escola do MST é sem sombra de duvida um movimento pedagógico voltado à
formação humana e de caráter de luta pela afirmação da sua identidade de
trabalhador do campo e cidadão no gozo dos seus plenos direitos de estar e
permanecer na terra.
Essa proposta se passa também pela ocupação e a transformação dos tempos
e espaços da escola no meio rural, para que essa sim possa além de direito vir
a ser dever de cada cidadão. Essa luta fortalece o ideológico do MST de que é
muito difícil se fazer a reforma agrária sem que haja uma adequação da escola e
a aquisição do ensino escolar e não escolar. Conforme Caldart. (2005, p. xx)
Nesta
trajetória de tentar construir uma escola diferente, o que era (e continua
sendo) um direito, passou a ser também um dever. Se queremos novas relações de
produção no campo, se queremos um país mais justo e com mais dignidade para
todos, então também precisamos nos preocupar em transformar instituições
históricas como a escola em lugares que ajudem a formar os sujeitos dessa
transformação. Foi assim que se começou a dizer no MST que se a Reforma Agrária é uma luta de todos, a luta
pela educação de todos também é uma luta do MST...
No MST já não há mais espaço para a luta se não houver espaço para a
educação, pois hoje já podemos dizer que o movimento está muito preocupado com
as questões de desenvolver as políticas afirmativas e mostrar ao sistema e aos
latifundiários que estamos ‘aqui’, e que cada vez mais estamos nos qualificando
e conhecendo nossos direitos.
A educação passou a ser uma importante arma para o MST, pois já é sabido
que para os detentores do poder um povo, com formação é um povo mais difícil de
ser manipulado. A educação popular possibilita ao sujeito que seja mais critico
e com uma conduta questionadora quando a sua participação e as relações de
poder e trabalho na sociedade.
Para essa pedagogia do MST é dada importância a práxis dos educadores e
não apenas aos conhecimentos adquiridos através da teoria, isso que dizer que
para os educadores dos movimentos sociais é muito importante que a teoria venha
ao encontro com a sua pratica. Conforme Caldart. (2003, p. 57)
Muito
mais que pelas palavras. A força do MST não está nos seus discursos, mas sim
nas ações e na postura dos Sem Terra que as realizam. São as praticas e as
condutas do coletivo que educam as pessoas que fazem parte do Movimento ou com
ele convivem.
É
por isso isto que no MST temos como referência de educadores pessoas como Paulo
Freire, e Che Guevara. Eles não foram educadores pelo que apenas disseram ou
escreveram; mas pelo testemunho de coerência entre o que pensaram, disseram e
efetivamente fizeram e foram como militantes das causas do povo.
O exemplo de atuação de Paulo Freire e Che Guevara com sua ação
pedagógica voltada a emancipação da sociedade e a uma conduta autônoma e
cidadã. Suas praticas os tornou exemplos os tornaram grandes referências na
luta pelas políticas publicas afirmativas das minorias, no nosso caso em
especial aos pequenos agricultores do campo castigados pelo êxodo rural e a
expansão do agronegócio.
É possível ver na trajetória desse movimento pessoas que contrariando o
que dizem as elites brasileiras e a mídia ‘imparcial’, que procuram vincular a
imagem do MST a de um grupo armado, uma guerrilha baderneira a trabalho da
desordem e a subversão, que buscam pesquisar e desenvolver trabalhos nas
propostas de políticas publica para a libertação desse povo oprimido do campo e
alheio as políticas do campo voltadas ao agronegócio.
Portanto podemos afirmar que Caldart, nos traz uma proposta pedagógica
voltada à humanização dos sujeitos dos acampamentos e assentamentos do MST
visando sempre respeitar todas as formas de conhecimentos e suas mais variadas
formas de transmissão, que vão desde as tradicionais das escolas, até as desenvolvidas
nas trocas através das relações humanas e no convívio em grupos.
É preciso a nos pensar essa atuação da escola do movimento, pois ela
exige muita reflexão e muita identidade com a causa para que não se desvirtue
do seu principal objetivo. Segundo nos traz a autora e que nos chama muito a
atenção é a citação em que ela defende que o movimento não cabe na escola, mas
a escola cabe no movimento, descrevendo a importância e a dimensão que possui o
MST. Hoje é impossível pensar na luta pela reforma agrária sem que se pense na
transformação de educação para que atenda essas necessidades.
Podemos afirmar que hoje o MST já é sem sobra de duvidas um movimento de
resistência ao sistema e de afirmação política e porque não dizer que ele
também é um movimento de resistência ao sistema e sua forma de domesticação das
pessoas.
Isso tudo nos leva a pensar a nossa atuação, não apenas como educador,
mas também como cidadão. Será que estamos buscando nossos direitos de ir e vir,
usando com consciência nosso poder de escolha. Será que nossa visão de
sociedade condiz com a da maioria das pessoas? Ou será que nos deixamos
influenciar pela opinião publica.
Acreditamos que sim é possível e preciso que buscamos uma sociedade mais
justa e igualitária com acesso as necessidades básicas para a sobrevivência de
cada ser humano, garantido na constituição.
Pensar o MST sem pensar a educação, hoje passa a ser um
exercício impossível e longe da realidade dos que estudam esse Movimento Social
de politica afirmativa do campo e para o campo.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra: a
escola é mais que escola na. 1. ed. Rio de Janeiro: 2000. Editora vozes.
CALDART,
Roseli Salete. Setor de educação do MST.
Disponível em:<http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0070.html> Acesso em 27 set. 2010.
CALDART, Roseli
Salete. A escola do campo em movimento.
Currículo sem fronteira, v.3, n.1, pp60-81, Jan/ Jun 2003.
Disponível em:<currículosemfronteiras.org>
[1] Graduado
em Pedagogia pela universidade Feevale, Educador Popular e Diretor na Associação
Juja Baby
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