sábado, 3 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO POPULAR E OS MOVIMENTOS SOCIAIS AÇÃO PEDAGÓGICA NO MST.

EDUCAÇÃO POPULAR E OS MOVIMENTOS SOCIAIS
AÇÃO PEDAGÓGICA NO MST.

 Palavras chave; Educação popular, ação pedagógica e libertação.

Valter Marciano dos Santos Chereta [1]


Acreditamos que a desigualdade em nosso país só será diminuída a partir do momento em que forem feita as reformas necessárias para garantir os direitos de ir e vir a todos afim de que possam gozar de forma plena da cidadania e tenham respeitados seus direitos básicos garantidos pela constituição.
Dentre as reformas necessárias para que possamos diminuir a desigualdade, talvez a que mais seja necessária hoje, principalmente pela estrutura do nosso país, é a reforma agrária, não desvalorizando as reformas na economia, na política ou na educação. Devido ao fato da grande expansão territorial do Brasil e a grande capacidade de se produzir alimentos, tornam impossíveis que as grandes quantidades de terras estejam nas mãos de poucos latifundiários e na sua maioria a serviço do agronegócio ou mesmo como terras improdutivas.
Essa desigualdade na divisão agrária e na produção na terra fez com que milhões de brasileiros se tornassem os trabalhadores rurais desempregados. Sem terra para produzirem e investirem na agricultura familiar, estes trabalhadores se viram por muitas vezes obrigados a seguir para os centros urbanos em busca de empregos e passando a viver em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade social.
Nos anos 80 surge no Brasil o MST, com o objetivo de lutar pela terra e o direito de nela produzir, mas também com a necessidade de se afirmar como um sujeito coletivo. Neste sentido, a educação teve um papel importante. Buscar uma educação através de um movimento pedagógico próprio e que estivesse voltada a humanização dos seus membros e que repensassem as relações culturais, humanas e de trabalho era nesse momento fundamental.  Conforme Caldart. (2003, p. 51)
O MST entrou no seu 17º ano de existência refletindo mais profundamente sobre duas de suas grandes tarefas, definidas ao longo de sua história: ajudar a acabar com o pecado mortal do latifúndio, desconcentrando e tornando socialmente produtivas as terras deste país imenso; ajudar a humanizar as pessoas, formando seres humanos com dignidade, identidade e com projeto de futuro. Esta segunda tarefa, a que talvez melhor o MST venha cumprindo desde que começou a ser gestado, é a que remete a pensar diferente na dimensão educativa do movimento  
É preciso que façamos uma grande reflexão sobre a importância de se pensar de fato nas ações propostas pelo MST, e que reflexos vão ter na convivência desses sujeitos com os desafios do movimento, como também com todo o restante da sociedade. Certamente desse conjunto de propostas em torno dos projetos do movimento ficam evidentes que o MST passa a adotar uma identidade de sujeito coletivo, pensando sempre na formação humana desses sujeitos. Desse pensamento de humanizar as pessoas do MST surgem então as ações pedagógicas relacionadas à educação e a valorização do ser humano acima de tudo, respeitando seu histórico e todos os tipos de conhecimento adquirido que esse sujeito carrega consigo durante todo seu tempo vivido. Segundo Caldart, (2003, p. 51)
Deste diálogo entre as práticas do Movimento e as reflexões sobre formação humana construída ao longo da história da humanidade, um primeiro produto diz respeito à própria concepção de educação. Quando tratamos de praticas de humanização dos trabalhadores do campo como uma obra educativa, estamos na verdade recuperando um vinculo essencial para o trabalho em educação: educar é humanizar, é cultivar os aprendizados de ser humano.
Essa necessidade de se pensar em desenvolver as questões humanas nos sujeitos membros do MST, foi o que fez com que se alterasse a visão sobre as relações de trabalho e a concepção de educação presente nas escolas do campo.  A educação do campo passa a ter um papel muito importante na vida desse sujeito que não está apenas preocupado com as questões relacionadas ao trabalho, mas que agora pensa e reflete sobre a importância da educação como uma formação humana. 
Essa formação humana não nasce de uma proposta apenas voltada para se repensar a escola do campo, ela surge com um movimento pedagógico voltado a uma determinada categoria de trabalhadores rurais, pobres e necessitados e que por muitas vezes precisam dessa educação para que possam permanecer na luta pela terra e o direito de produzir e permanecer nela.
Essa necessidade de se organizar para produzir faz com que se fortaleça esse vinculo do trabalhador rural pobre com o movimento pedagógico do MST.
Conforme Caldart. (2009, p. 41)
O vinculo de origem da Educação do campo é com os trabalhadores ‘pobres do campo’, trabalhadores sem-terra, sem-trabalho, mas primeiro com aqueles já dispostos a reagir, a lutar, e se organizar contra ‘o estado das coisas’, para aos poucos buscar ampliar o olhar para o conjunto dos trabalhadores do campo.
Essa nova visão formada deste trabalhador Sem Terra, agora organizado e já começando a ocupar os espaços da escola os quais são seus de direitos e dever para atender seus objetivos, faz com que passe a haver nesse sujeito uma reação em relação às relações de trabalho e de poder o que fortalece cada vez mais a identificação deles com o movimento social, ao qual já agregou na sua bandeira de luta pela reforma agrária, também a luta por uma escola justa e mais humana.
A relação do movimento dos trabalhadores rurais do MST com a formação escolar em busca de uma educação transformadora evoluiu a tal ponto que hoje já há várias escolas nos seus espaços de atuação, como nos traz Caldart. (2005, p. xx)
Em dados estimados podemos dizer que o MST conquistou em 20 anos aproximadamente 1500 escolas públicas nos seus acampamentos e assentamentos, colocando nelas em torno de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terra, e ajudando os seus mais de 4000 educadores; também desencadeou um trabalho de alfabetização de jovens e adultos, envolvendo entre 2003 e 2004 mais de 30 mil educandos e 2000 educadores; começou a desenvolver praticas de educação infantil em seus cursos, encontros, acampamentos e assentamentos, que formam pelo menos mais 500 educadores nessa nova frente; conseguiu criar algumas escolas de ensino médio nos assentamentos e fazer cursos superiores em parceria com diferentes universidades brasileiras.
Essa valorização da formação dos trabalhadores do MST faz com que a escola ocupe um papel muito importante na vida desse sujeito de forma que esse possa se humanizar e ao mesmo tempo se apropriar das técnicas de trabalho que irão auxiliar no seu dia a dia. O grande número de escolas nos assentamentos e acampamento nos mostra a preocupação do movimento com a valorização da educação, pois fica visível que a escola passa a ser instrumento de transformação social para esse sujeito de forma que, começa haver preocupação com as questões relacionadas sua ação pedagógica.
Essa parceria com universidades favorece o surgimento de pesquisas no campo da educação popular, o que facilita e muito a ação dos educadores dos
Acampamentos e assentamentos do MST. O que engrandece a ação pedagógica desse sujeito são as relações que ele ira desenvolver com o educando e a práxis desenvolvida. 
Conforme Caldart. (2003, p. 51)
O MST tem uma pedagogia, quer dizer, uma práxis (pratica e teoria combinadas) de como se educam as pessoas, de como se faz a formação humana. A pedagogia do Movimento Sem Terra é o jeito através do qual o Movimento vem historicamente, formando o sujeito social de nome Sem Terra e educando no dia a dia as pessoas que dele fazem parte.
Essa práxis é o resultado da teoria com a ação pedagógica, ou seja, uma coerência entre o discurso e a prática e a busca pela formação de uma identidade desse movimento como sujeito coletivo e com características próprias, e por as letras S do sem e T da terra aparecem em maiúsculo no texto da Caldart, para reafirmar essa identidade. Esta educação do campo dentro dos movimentos social não deixa de ser uma ação transformadora. Transformação essa que passa pelo campo social e pelo campo ideológico ocupando-se da função de ser uma educação humanizadora.  Conforme Caldart. (2009, p. 42)
A educação do campo, fundamentalmente pela práxis pedagógica dos movimentos sociais, continua e pode ajudar a revigorar a tradição de uma educação emancipatória, retomando questões antigas e formulando novas interrogações a política educacional e a teoria pedagógica. E faz isso, diga se novamente, menos pelos ideais pedagógicos difundidos pelos seus diferentes sujeitos e mais pelas tensões/contradições que explicita/enfrenta no seu movimento de crítica material ao atual estado de coisas.
Essa critica ao estado atual das coisas faz surgir no movimento às escolas itinerantes, que estão em movimentos juntamente com os sujeitos acampados e que necessitam dessa modalidade de educação para ter garantido seu direito básico de estar na escola respeitado e para que não haja em nenhum momento o desligamento desse sujeito coletivo da escola, valorizando assim os processos de formação.
Conforme Caldart. (2005, p. xx)
No Rio Grande do sul temos, desde novembro de 1996, a chamada Escola Itinerante dos Acampamentos, com um tipo de estrutura e proposta pedagógica criada especialmente para atende às crianças e adolescentes do povo Sem Terra em movimento. Temos agora, mas foi preciso uma luta de 17 anos (isto mesmo!) para conseguir o que seria o mais ‘normal’, porque justo, e até se tornou um direito constitucional: é a escola que deseja ajustar-se, em sua forma e conteúdo, aos sujeitos que delas necessitam; é a escola que deve ir ao encontro dos educandos, e não o contrário. – hoje há também escolas itinerantes no Paraná, Santa Catarina e tramitam processos em Goiás e Alagoas.  
Essa realidade vem sendo alterada nos últimos anos, já que o estado do Rio Grande do Sul fechou as escolas itinerantes alegando que essas estavam voltadas à formação ideológica das crianças e adolescentes que a frequentavam, contrariando assim um direito constitucional que as pessoas possuem de se organizar e lutar pelo que acreditam e defendem e o direito de expressar seu desejo e opinião.
Dentre outras coisas, que são valorizadas no MST, estão relacionadas culturas populares e o conhecimento adquirido através das relações sociais construídas entre as relações do sujeito e o meio. Essa relação produz conhecimento, o qual é valorizado e passa a ser ponto de partida para a construção de novos conhecimentos. Conforme Caldart. (2003, p. 55)
Valores são uma dimensão fundamental da cultura; são princípios de vida, aquilo que consideramos que vale viver. São valores que movem nossas práticas, nossa vida, nosso ser humano. São valores que produzem nas pessoas a necessidade de viver pela causa da liberdade e da justiça. São valores que movem o empenho dos sem Terra em fazer dos assentados comunidade de utopia, coerente com a luta que os conquistou.
Essa utopia se apresenta a nós devido às barreiras postas pelo Estado e pelos latifundiários, que não deixa de serem os mesmos, se levarmos em consideração a relação entre esses grandes proprietários de terra e a ocupação dos cargos públicos por esse veremos que são eles nossos deputados e senadores. Essa situação é inadmissível em um país com dimensões continentais e no qual os pequenos agricultores não tenham condições de desenvolver a agricultura familiar e assim garantir para si e seus iguais o direito de estar e de permanecer no campo.  Já as grandes propriedades estão voltadas a criação de gado e ao agronegócio que gera exclusão e desemprego com o uso das tecnologias.
Mas todas essas dificuldades, encontrada na busca por espaço e respeito pelos primeiros agricultores, levou eles a se organizar, visando à Reforma Agrária necessária para garantir a permanência no campo, e a garantia dos direitos básicos. Esse exemplo faz com que hoje, mesmo os jovens nascidos e criados dentro dos acampamentos e assentamentos assumam essa identidade de Sem Terra e valorizem esses conhecimentos;
Conforme Caldart. (2003, p. 56)
  Foi assim que o movimento se fez como é: aprendendo dos lutadores que vieram antes, cultivando a memória de sua própria caminhada. A história se faz assim: A terra guarda a raiz, diz uma das canções do MST. A educação também deve guardar raiz, ajudando no cultivo da memória do povo e na formação da consciência histórica.
Essa consciência histórica de um sujeito com raiz no campo e com uma educação enraizada no campo traz a tona muitas reflexões, dentre elas é a importância de a escola caber no movimento, já que o movimento não cabe na escola. O movimento não cabe na escola apenas pela suas dimensões, mas também pela sua identidade ideológica que por si própria vai contra o modelo de educação das escolas tradicionais, voltadas a formação do sujeito para o mercado de trabalho e para uma realidade urbana.
É preciso uma educação que conscientize esse cidadão para que não esqueça suas raízes camponesas, garantindo à permanência no campo e as condições que os levaram a situação de trabalhadores rurais sem-terra.
Conforme Caldart. (2003, p. 56)
 É preciso educar cada família Sem Terra para que não se esqueça também de suas raízes camponesas, de sua cultura, de como essas raízes participam da formação do povo brasileiro. Que todos os Sem Terra aprendam como chegar à condição de trabalhador rural sem-terra, e de como possuem muitos outros irmãos no mundo inteiro em condição semelhante, e também fazendo luta pela terra e pela Reforma Agrária como nós. E como ficamos presos ao passado, mas ao contrario, para colocá-lo em movimentos e projetarmos o futuro que é melhor para todos.
Para que possamos garantir um futuro melhor para todos é necessário acreditar que não há transformação nem humanização sem a organização dos movimentos, no nosso caso, em especial no MST. Essa ação pedagógica proposta pela Caldart, esta centrada na proposta de uma formação do sujeito visando à busca pela autonomia e que esse seja capaz de se organizar e desempenhar a cidadania proposta pela educação popular.
A educação se da através das ações nas quais se valoriza acima de tudo as relações humanas. Conforme Caldart. (2003, p. 54)
As pessoas se educam nas ações porque é o movimento das ações que vai conformando o jeito de ser humano. As ações produzem e são produzidas através de relações sociais: ou seja, elas põem em movimento outro elemento pedagógico fundamental que é o convívio entre as pessoas, a interação que se realiza entre elas, medida pelas ferramentas herdades de quem já produziu outras ações antes (cultura); nesta relação às pessoas se expõe como são, e ao mesmo tempo vão construindo e revisando sua identidade, seu jeito de ser.
Essa identidade buscada pelas pessoas do movimento social deve ser focada não apena na busca pela reforma agrária, mas com forte participação nas ações educacionais da escola e uma preocupação com uma educação transformadora e libertadora. A essa identidade com o movimento pode se atribuir também a necessidade sim de se ter uma formação ideológica nessas pessoas para que não acabem aumentando as estatísticas e aumentando o número dos chamados ‘sem’, sem-terra, sem-trabalho, sem-teto, sem-saúde, sem-educação e sem acesso a muitas coisas básicas a sobrevivência e a felicidade dos cidadãos.   
A formação desse sujeito não se da apenas nos espaços escolar. Mas sim em todas as relações de trocas de aprendizado, que forma essa pedagogia do MST e que é bem maior do que a proposta formal da escola e que, portanto busca atender mais as necessidades dos sujeitos do movimento. Conforme Caldart. (2003, p. 57)
Sujeitos não se formam somente na escola. Há outras vivencias que produzem aprendizados até mais fortes. A pedagogia do Movimento na cabe na escola, porque o Movimento não cabe na escola, e porque a formação humana também não cabe nela. Mas a escola cabe no movimento e em sua pedagogia; cabe tanto que historicamente o MST vem lutando tenazmente para que todos os Sem Terra tenham acesso a ela. A escola que cabe na pedagogia do Movimento é aquela que resume sua tarefa de origem: participar do processo de formação humana.    
A escola do MST é sem sombra de duvida um movimento pedagógico voltado à formação humana e de caráter de luta pela afirmação da sua identidade de trabalhador do campo e cidadão no gozo dos seus plenos direitos de estar e permanecer na terra.
Essa proposta se passa também pela ocupação e a transformação dos tempos e espaços da escola no meio rural, para que essa sim possa além de direito vir a ser dever de cada cidadão. Essa luta fortalece o ideológico do MST de que é muito difícil se fazer a reforma agrária sem que haja uma adequação da escola e a aquisição do ensino escolar e não escolar. Conforme Caldart. (2005, p. xx)
Nesta trajetória de tentar construir uma escola diferente, o que era (e continua sendo) um direito, passou a ser também um dever. Se queremos novas relações de produção no campo, se queremos um país mais justo e com mais dignidade para todos, então também precisamos nos preocupar em transformar instituições históricas como a escola em lugares que ajudem a formar os sujeitos dessa transformação. Foi assim que se começou a dizer no MST que se a Reforma Agrária é uma luta de todos, a luta pela educação de todos também é uma luta do MST... 
No MST já não há mais espaço para a luta se não houver espaço para a educação, pois hoje já podemos dizer que o movimento está muito preocupado com as questões de desenvolver as políticas afirmativas e mostrar ao sistema e aos latifundiários que estamos ‘aqui’, e que cada vez mais estamos nos qualificando e conhecendo nossos direitos.
A educação passou a ser uma importante arma para o MST, pois já é sabido que para os detentores do poder um povo, com formação é um povo mais difícil de ser manipulado. A educação popular possibilita ao sujeito que seja mais critico e com uma conduta questionadora quando a sua participação e as relações de poder e trabalho na sociedade.
Para essa pedagogia do MST é dada importância a práxis dos educadores e não apenas aos conhecimentos adquiridos através da teoria, isso que dizer que para os educadores dos movimentos sociais é muito importante que a teoria venha ao encontro com a sua pratica. Conforme Caldart. (2003, p. 57)
Muito mais que pelas palavras. A força do MST não está nos seus discursos, mas sim nas ações e na postura dos Sem Terra que as realizam. São as praticas e as condutas do coletivo que educam as pessoas que fazem parte do Movimento ou com ele convivem.
É por isso isto que no MST temos como referência de educadores pessoas como Paulo Freire, e Che Guevara. Eles não foram educadores pelo que apenas disseram ou escreveram; mas pelo testemunho de coerência entre o que pensaram, disseram e efetivamente fizeram e foram como militantes das causas do povo.
O exemplo de atuação de Paulo Freire e Che Guevara com sua ação pedagógica voltada a emancipação da sociedade e a uma conduta autônoma e cidadã. Suas praticas os tornou exemplos os tornaram grandes referências na luta pelas políticas publicas afirmativas das minorias, no nosso caso em especial aos pequenos agricultores do campo castigados pelo êxodo rural e a expansão do agronegócio.  
É possível ver na trajetória desse movimento pessoas que contrariando o que dizem as elites brasileiras e a mídia ‘imparcial’, que procuram vincular a imagem do MST a de um grupo armado, uma guerrilha baderneira a trabalho da desordem e a subversão, que buscam pesquisar e desenvolver trabalhos nas propostas de políticas publica para a libertação desse povo oprimido do campo e alheio as políticas do campo voltadas ao agronegócio.
Portanto podemos afirmar que Caldart, nos traz uma proposta pedagógica voltada à humanização dos sujeitos dos acampamentos e assentamentos do MST visando sempre respeitar todas as formas de conhecimentos e suas mais variadas formas de transmissão, que vão desde as tradicionais das escolas, até as desenvolvidas nas trocas através das relações humanas e no convívio em grupos.
É preciso a nos pensar essa atuação da escola do movimento, pois ela exige muita reflexão e muita identidade com a causa para que não se desvirtue do seu principal objetivo. Segundo nos traz a autora e que nos chama muito a atenção é a citação em que ela defende que o movimento não cabe na escola, mas a escola cabe no movimento, descrevendo a importância e a dimensão que possui o MST. Hoje é impossível pensar na luta pela reforma agrária sem que se pense na transformação de educação para que atenda essas necessidades.
Podemos afirmar que hoje o MST já é sem sobra de duvidas um movimento de resistência ao sistema e de afirmação política e porque não dizer que ele também é um movimento de resistência ao sistema e sua forma de domesticação das pessoas.
Isso tudo nos leva a pensar a nossa atuação, não apenas como educador, mas também como cidadão. Será que estamos buscando nossos direitos de ir e vir, usando com consciência nosso poder de escolha. Será que nossa visão de sociedade condiz com a da maioria das pessoas? Ou será que nos deixamos influenciar pela opinião publica.
Acreditamos que sim é possível e preciso que buscamos uma sociedade mais justa e igualitária com acesso as necessidades básicas para a sobrevivência de cada ser humano, garantido na constituição.
Pensar o MST sem pensar a educação, hoje passa a ser um exercício impossível e longe da realidade dos que estudam esse Movimento Social de politica afirmativa do campo e para o campo.



































REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra: a escola é mais que escola na. 1. ed. Rio de Janeiro: 2000. Editora vozes.
CALDART, Roseli Salete. Setor de educação do MST.
 Disponível em:<http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0070.html> Acesso em 27 set. 2010.
 
 CALDART, Roseli Salete. A escola do campo em movimento. Currículo sem fronteira, v.3, n.1, pp60-81, Jan/ Jun 2003.
Disponível em:<currículosemfronteiras.org>






[1] Graduado em Pedagogia pela universidade Feevale, Educador Popular e Diretor na Associação Juja Baby

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